O sistema endocanabinóide é um sistema de sinalização
endógena que atua fisiologicamente na regulação da homeostase energética e no
metabolismo de lipídeos e carboidratos. A hiperativação do sistema
endocanabinóide não só causa aumento de peso como pode induzir fenótipos
dislipidêmicos e disglicêmicos. Numerosos estudos clínicos e experimentais
demonstraram que a intervenção farmacológica nesse sistema representa
promissora perspectiva terapêutica no controle da obesidade, dislipidemia,
resistência à insulina e aterosclerose. Os receptores canabinóides, os
endocanabinóides e as enzimas que catalisam sua biossíntese e degradação
constituem o sistema endocanabinóide.

O primeiro receptor canabinóide foi descoberto em
1988, e chamado de CB1, pouco tempo depois, outro receptor foi descoberto e
nomeado de CB2. O CB1 está primariamente
localizado nos terminais nervosos pré-sinápticos e é responsável pela maioria
dos efeitos neurocomportamentais dos canabinoides. O CB2, ao contrário, é o
principal receptor de canabinoide no sistema imune, mas também pode
expressar-se nos neurônios.
Ambos estão
acoplados às proteínas Gi/o e pertencem a uma diversificada família de
proteínas acopladas à membrana celular. Os ligantes endógenos foram isolados em
1922, e atualmente, os mais estudados são a anandamida (N-araquidonoil
etanolamina) e o 2-araquidonoil glicerol (2-AG). Os níveis celulares e
teciduais do 2-AG são mais elevados que os da anandamida devido ao seu maior
envolvimento em várias vias metabólicas. A função primária desses receptores é
transformar estímulos extracelulares em sinais intracelulares.

Os neurotransmissores clássicos, tais como a
acetilcolina, os aminoácidos (e.g. glutamato, GABA) ou as monoaminas (e.g.
dopamina, serotonina), preenchem os seguintes critérios: 1) os transmissores
são sintetizados nos terminais pré-sinápticos a partir de precursores
específicos e armazenados em vesículas sinápticas; 2) eles são liberados na
fenda sináptica após um influxo de cálcio; 3) há mecanismos específicos para
que finalizem suas ações, incluindo a captação e a degradação enzimática. Estes
critérios tornam os endocanabinoides mensageiros atípicos, que fazem a
transferência das informações dos terminais pós aos pré-sinápticos de uma forma
retrógrada: os endocanabinoides são sintetizados sob demanda e não são
armazenados em vesículas.
As sínteses ocorrem nos neurônios pós-sinápticos após
o influxo de cálcio e a subsequente ativação das fosfolipases (fosfolipase D no
caso da anandamida e diaciglicerol lipase no caso da 2-AG), que convertem os
fosfolipídeos em endocanabinoides. Eles parecem atingir imediatamente a fenda
sináptica por meio da difusão livre ou assistida e se acoplar aos receptores
CB1 pré-sinápticos. Devido a tal mecanismo de ação receptores cerebrais (CB1) e
neuromoduladores (ex: anandamida) têm um papel importante na fisiologia
cerebral regulando diversos sistemas neurotransmissores, tais como:
dopaminérgico, serotonérgico, colinérgico, glutamatérgico e gabaérgico.
Referências:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2006001700023&lng=pt&nrm=iso&us..
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302006000200025
http://learn.genetics.utah.edu/content/addiction/mouse/
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462010000500004
Bioquímica UnB
quarta-feira, 25 de junho de 2014
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