OSMAIRO VALVERDE MACHADO
Quando entramos pelo campo da bioquímica, existe um
maior consenso sobre a temática. Os pesquisadores entendem e aceitam
perfeitamente que a patologia é desencadeada, neste âmbito, por um desequilíbrio
notório na química cerebral.
O principal “culpado”, apontado pelas pesquisas, seria
uma molécula chamada serotonina. Ela é considerada o maior vilão da história.
A serotonina é um tipo de neurotransmissor que é fabricado
no tronco encefálico, no chamado núcleo da rafe. Apesar de toda a tecnologia
disponível, sua atuação completa está em estudo, possuindo participação em
diversos campos dentro do organismo.
Ela tem papel fundamental no sono de vigília, nos
deixando alerta, mas também regulando o chamado “sono lento”. Mas, para que o
tão famoso sono REM ocorra, esse neurotransmissor precisa ser inibido.
A molécula ficou mais famosa por ser um dos
neurotransmissores do humor. Quando ocorre algum problema que não permita a
transmissão adequada da molécula, irritabilidade, mal humor, ansiedade,
impaciência, irritação e choros podem ocorrer. Quando o nível de transmissão de
serotonina está adequado, pessoas agressivas tendem a tornarem-se mais “estabilizadas”,
visto que a molécula controla os impulsos do nosso sistema límbico.
A substância também está envolvida em processos de
saciedade, regulando e controlando uma dieta adequada. Mas, de acordo com os
pesquisadores, quando existe um problema na transmissão, os indivíduos tendem a
abusar dos doces e das massas para se sentirem satisfeitas de alguma maneira.
Este sintoma ocorre com frequência em pessoas com depressão.
A atividade sexual também fica prejudicada. A molécula
é apelidada por alguns autores como “neurotransmissor do prazer”, mas quando
ela está presente em excesso, atrapalha o desempenho sexual. Este efeito pode
ocorrer em pessoas que começam o tratamento para depressão, quando inicia-se o
uso de antidepressivos que aumentam a serotonina e, por consequência, a libido
caí. Por este motivo, várias drogas antidepressivas podem ser administradas
para pacientes que possuem ejaculação precoce.
E o que a serotonina tem a ver com a depressão?
É errôneo pensar que depressão é apenas uma “queda”
nos níveis dessa molécula no organismo. Essa crença deturpada talvez tenha
vindo do conhecimento difundido que os medicamentos antidepressivos aumentam a
disponibilidade do neurotransmissor no cérebro.
Em entrevista para o site Minha Vida, a neurologista
Dalva Lucia Poyares comentou que na verdade, o que ocorre em casos de
depressão, ansiedade e outros distúrbios afetivos, é que a transmissão de
serotonina não está tão efetiva quanto deveria.
Já o Dr. Roberto Godoy, do Hospital Beneficiência
Portuguesa de São Paulo, acrescentou: “Alguns
antidepressivos atuam inibindo seletivamente a receptação da serotonina,
aumentando dessa forma a quantidade dela nos espaços entre os neurônios, facilitando
a neurotransmissão. Isso faz com que a pessoa melhore seu humor, diminuindo a
ansiedade e a irritabilidade”.
Fontes – de todas as postagens sobre depressão:
1 -http://www.saudeemmovimento.com.br/revista/artigos/cienciasfarmaceuticas/v1n1a6.pdf
5 – Scientific American Mente e Cérebro, Ano XIX, nº
248, páginas 38/40/41/42/43
Bioquímica UnB
domingo, 22 de junho de 2014
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