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Depressão: Onde estão os medicamentos em meio a tudo isso?

OSMAIRO VALVERDE MACHADO


Na década dos anos 80, o primeiro medicamento que se baseava na tentativa de regularizar a serotonina no cérebro ficou famoso com o nome de Prozac, cujo princípio ativo é a fluoxetina. Desde então, uma vasta gama de medicamentos foram desenvolvidos com o mesmo princípio: Manter os níveis de serotonina adequado e impedir que o cérebro o reabsorva.

Além da aparente fantasia de que os medicamentos podem curar a depressão por si só, os relatos mostram que essas drogas estão ficando cada vez menos eficazes.
Há 20 anos, cerca de 1,5% da população dos Estados Unidos possuía depressão com necessidade de tratamento. Hoje, a realidade já atinge os 5%.

O Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla da língua inglesa), em Bethesda, Maryland, chocou os profissionais quando publicou os resultados de uma pesquisa, desenvolvida nos EUA, mostrando que os medicamentos disponíveis ajudavam apenas em, no máximo, 70% dos casos.

Mas, o que poderia causar uma “queda” na eficácia dos medicamentos? Talvez essa eficácia “fantástica” propagada pela mídia nunca tenha sido real. Isso seria resultado do estilo de atuação do FDA (Food and Drug Admnistration) – órgão americano de controle de medicamentos, cosméticos e alimentos, com atuação semelhante da ANVISA, aqui no Brasil.
Para que um medicamento seja aprovado e liberado pelo FDA nos EUA, ocorre apenas a exigência de dois grandes estudos em larga escada para verificar se a droga é eficaz comparado com seu placebo. 

As indústrias farmacêuticas, que realizaram a pesquisa, não são obrigadas a fornecerem todos os dados e resultados gerados durante os experimentos.
Por um lado, pacientes menos graves conseguem sair do problema com terapia e acompanhamento psicológico. Por outro lado, pacientes mais graves, têm nos medicamentos uma esperança.

Existem novidades no setor farmacêutico?


No campo dos novos fármacos, a Cetamina (também chamada de quetamina) apresenta-se como promissora. A substância já foi amplamente usada de modo ilícito como alucinógeno. Na verdade, trata-se de um tipo de anestésico. Apesar dos estudos aplicados, os cientistas ainda não sabem precisar qual seria o risco da droga, tão pouco quando estará disponível para uso.

A substância, quando aplicada na veia, tem grande potencial de desbloquear receptores de glutamato (neurotransmissores que estimulam as sinapses). De acordo com os pesquisadores, pessoas com depressão possuem níveis muito baixos dessa substância no cérebro.

A vantagem do medicamento seria sua atuação, que começa menos de uma hora após ser administrada. Ao contrário disso, os medicamentos disponíveis no mercado precisam de, pelo menos, 15 dias para começarem sua atuação visível.

O glutamato tem papel importante na depressão?


O glutamato, na verdade, tem um papel muito importante no cérebro. Ele favorece processos de complexos de aprendizagem, memória, motivação e plasticidade.
Vários autores acreditam que os níveis baixos de glutamato no cérebro possui o mesmo nível de importância que os níveis baixos de serotonina quando o assunto é depressão.
Apesar disso, as duas moléculas não possuem atuação igual. O glutamato não ajuda apenas no transporte de mensagens entre os neurônios. Sua atuação influencia na plasticidade, contribuindo para incrementar a capacidade de reparação dos neurônios.

Essa hipótese seria coerente com uma nova visão sobre a depressão que vem ganhando espaço ano após ano. Segundo a teoria recém-implantada, a depressão faz com que alguns dos prolongamentos das extremidades dos neurônios, os chamados dendritos, tendam a murchar.

Em uma analogia, é como se as sinapses se tornassem “pontes quebradas”, impedindo a transmissão de mensagens. A teoria é reforçada quando existe a constatação que cada episódio sucessivo de depressão parece deixar os pacientes vulneráveis a um novo episódio subsequente.

E o cérebro? Quais as técnicas experimentais para este importante órgão?


Atualmente, pratica-se no Brasil em caráter experimental é a Estimulação Cerebral Profunda (apelidada de DBS) indicada apenas para pacientes graves que não responderam adequadamente a nenhum tratamento convencional proposto.

A técnica consiste, em suma, colocar cirurgicamente dois eletrodos no cérebro. Os dispositivos são ligados a uma bateria presa ao tronco do paciente, enviando impulsos elétricos constantes. A ideia de tal procedimento e que, com a estimulação, ocorra a liberação de neurotransmissores, causando a diminuição dos sintomas.
Também é praticado a chamada Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) superficial. A técnica foi reconhecida a mais ou menos um ano no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina.

Segundo os estudos, ela favorece a estimulação sanguínea por meio de ondas eletromagnéticas. É considerada uma boa opção por ser indolor e não invasiva. Ela ativa a atividade cerebral e é indicada para pessoas que não se adaptaram aos tratamentos tradicionais com medicamentos e terapia.

Fontes – de todas as postagens sobre depressão:

1 -http://www.saudeemmovimento.com.br/revista/artigos/cienciasfarmaceuticas/v1n1a6.pdf

2 - http://www.minhavida.com.br/saude/galerias/13437-conheca-sete-funcoes-da-serotonina-no-organismo/2

3 - https://www.saiadoescuro.pt/causas/5.htm

4 - http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=153


5 – Scientific American Mente e Cérebro, Ano XIX, nº 248, páginas 38/40/41/42/43
Bioquímica UnB
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domingo, 22 de junho de 2014

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